quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Eu, Jornalista Claudia Alexandre no I Fórum de Protagonismo Feminino - Mulheres Negras que Inspiram

O evento ocorrido em São Paulo, no dia 28 de agosto, no campus da Faculdade Campos Salles (zona Oeste) teve a curadoria da Consulesa da França no Brasil, Alexandra Baldeh Loras. Alexandra se tornou uma figura pública admirada e representante da luta atual das mulheres negras pelo protagonismo em todos os sentidos, na sociedade brasileira. Com sua simpatia, carisma e preparo, ela que também é uma jornalista, Mestre em Comunicação, tem uma atuação impar não só por ser uma estrangeira, mas por revolucionar a posição diplomática, dispensando muitas vezes o privilégio a que tem direito. Conheci a Consulesa Alexandra quando fui entrevistá-la em uma recepção oferecida pela organização da Sociedade Negra Paulistana. No segundo encontro, já estávamos como convidadas do ILABANTU, para discutir a relação da mídia e das religiões afro-brasileiras. Naquela tarde ela me chamou e fez o convite irrecusável para que eu me juntasse ao Grupo de Negras Empoderadas, me passou seu telefone particular e de lá pra temos vivido uma relação de admiração mútua, que com muita humildade ela diz também se beneficiar. É admirável, a forma como ela tem um olhar de valorização para todas as talentosas negras que passaram a cercá-la, para reforçar a luta da mulher negra brasileira. Entre os principais projetos já concretizados por Alexandra Baldeh e o grupo de mulheres negras empoderadas estão sem dúvida o TEDX-São Paulo, realizado no Hotel Unique somente com palestrantes negras, espalhando as melhores ideias e empoderando uma plateia entusiasmada pelo espaço conquistado. Vale dizer que o TEDX-São Paulo é uma organização licendiada pelo TED, a maior plataforma internacional de compartilhamento de palestras com as pessoas mais interessantes do mundo. Outra conquista foi justamente a realização do I Fórum de Protagonismo Feminino, onde 22 mulheres negras foram convidadas para inspirar outras, com as mais diversas abordagens. Pois bem, tive orgulho e prazer de estar entre as convidadas. Escolhi como tema a fé, na palestra "A fé no Sim e no Não: uma chave contra a invisibilidade". Como comunicadora social - jornalista e radialista - fiz questão de apresentar para elas um pouco da minha história de vida, misturando minhas convicções e minhas experiências profissionais. Minha auto-confiança, que sou obrigada a trabalhar todos dias, por conta da minha condição de mulher, negra, feminista e mãe solteira, se transformou na tal chave. Fiz questão de falar sobre um caminho que tenho construído para me considerar uma pessoa de fé e livre. Sou uma empreendedora, atuo como assessora e consultora de comunicação e ainda produzo meu próprio programa de TV, para a internet e para uma emissora de TV na cidade de Sorocaba (TVR - TV Regional). Meu grande prazer foi dizer para aquelas mulheres que além da fé emocional, que é fundamental para o início do sucesso, a auto-confiança pode ser espalhada e contagiar outras pessoas. É também uma chave de abertura ou uma lança de defesa contra a invisibilidade tão enfrentada por nós mulheres negras. a invisibilidade é sem dúvida uma utopia bem elaborada, mas um obstáculo a ser vencido para que possamos falar em empoderamento e protagonismo. Deixo a íntegra da minha palestra, que parte de uma música que sempre gostei e sempre me diz muito, em momento muito decisivos: Andar com Fé, de Gilberto Gil A FÉ NO SIM E NO NÃO: UMA CHAVE CONTRA A INVISIBILIDADE DA MULHER NEGRA “A Fé não costuma falhar!” Hoje do alto dos meus 30 anos de carreira como jornalista, Não tenho dúvidas disso. Sou uma mulher de FÉ! E ao olhar algumas mulheres negras da minha geração, que venceram numa disputa tão desigual. Também acredito que elas tiveram fé. E não estou falando de religião: Porque religião cada um pode ter a sua. Mas hoje não tenho dúvida de que FÉ, todo mundo deveria ter. E de que fé eu estou falando? ACREDITAR e CONFIAR Do acreditar em si mesma! De confiar... de auto-confiança!!! Acho que foi construindo algumas convicções, que cheguei às minhas realizações profissionais. E descobri que muitas conquistas estão diretamente relacionadas com o ACREDITAR e o REALIZAR. ACREDITAR, que o meu lugar não tinha que ser no banco de trás... E que eu podia ser condutora dos meus sonhos e do que eu estivesse pronta para realizar. Napoelon Hill, um expert em realizações pessoais falou que a Fé é uma das principais emoções positivas, para enfrentar os problemas existenciais... Para uma mulher negra, com espírito de liderança, como muitas de nós, os problemas do existir são muitos, por exemplo as barreiras perversas e invisíveis para ascensão no mercado profissional! Imagine o atrevimento em você almejar um lugar que não te quer, que não quer te ver, não quer te ouvir e não quer te mostrar? E ao mesmo tempo terem de te ver, te ouvir e te mostrar??? Uma luta que você só pode assumir se construir o poder dentro de você!!! Hill dizia ainda sobre a FÉ EMOCIONAL: “o que a mente do homem/mulher pode conceber e acreditar, pode ser alcançada", positivamente ou negativamente! E assim construí duas marcas no meu universo profissional. A minha pessoal, Claudinha Alexandre e a minha empresa a Central de Comunicação! Elas foram sendo construídas paralelamente, até porque os obstáculos foram exatamente os mesmos! Sem a FÉ EMOCIONAL seria muito difícil. Eu me vi num caminho nada confortável. Caminhei por muito tempo em lugares onde muitos fingiram não me ver, por acharem que ali não era meu lugar. Armadilhas, negação, exclusão e a invisibilidade aparecem constantemente no meio do caminho. E se você não acreditar em você acabam derrubando os seus sonhos, mudam a sua cor e te tiram o chão!!! Vocês acreditam que VOZ tem cor?
No final dos anos 90, eu trabalhava numa das principais emissoras de rádio de São Paulo, e o IBOPE mostrava que uma média de 450 mil pessoas por minuto nos ouviam! Eu era então uma das vozes mais ouvidas da emissora!! “No auge do sucesso como locutora fui participar de um programa de TV de grande audiência como jurada. O convite veio por telefone diretamente da Diretora do Programa que se dizia minha fã! Quando cheguei à TV, fui muito bem recebida pela produção, dei autógrafos! No camarim enquanto me maquiavam, percebi que a porta se abriu três vezes, até que ouvi a produtora dizer: Olha a Claudinha Alexandre aí. A diretora uma mulher loira, me olhou sem graça e disse. Você é a Claudinha? Pelo rádio você parece ser uma menina gorda e loira....”. O que ela não imaginava era que a única mulher negra sentada naquele camarim pudesse ter a voz de sucesso que ela ouvia pelo rádio... E a partir de então eu decidi que minha voz também seria negra! E quis ocupar todos os lugares que minha capacidade me levasse! E me preparei com o melhor: estudo, capacitação, cursos, networking e FÉ! E quando percebi que as barreiras estavam ficando cada vez mais frágeis, decidi ser empreendedora. Gerenciar minha carreira e abrir minha empresa de comunicação, a Central de Comunicação. Pra mim não teria sentido continuar construindo um lugar, com estas cargas de enfrentamento sem pensar em representatividade. De passar para muitas o ACREDITAR: que o nosso primeiro lugar está dentro de nós e que dentro de nós estas experiências não podem nos derrotar. E que dentro de nós existem outros, que representam nossos antepassados, nossas divindades, costumes, tradições e atividades e saberes que recebemos dos outros com quem convivemos. Daqui do palco eu estou me tornando um pouco de vocês e vocês um pouco de mim! Hamptê Bá diz: As pessoas da pessoa são numerosas no interior da pessoa. ((Imagem de Hamptê Bá e de comunidades de mulheres africanas) Somos habitadas por muitas e sem limites .... Porque os Limites só podem ser impostos por nós mesmos! E que existem muitas possibilidades de explorarmos nossos talentos. Um dia me disseram que eu tenho um perfil profissional de longevidade no mercado.
E qual é esse perfil? Jornalista, Radialista, Apresentadora, Gestora de Eventos, Assessora de Imprensa e Educadora, que experimentou todas as possibilidades da profissão! Desde 2000 com minha empresa atendo principalmente clientes negros, parceiros e marcas comprometidas com a diversidade. Um desafio maior, porém com muito aprendizado: Inovar, REINVENTAR-SE, ampliar horizontes, cuidar dos relacionamentos e preservar as indicações! A Central de Comunicação não chegaria as grandes empresas e não estaria ativa se eu não acreditasse nas múltiplas possibilidades. Quero continuar a explorar todas as possibilidades desta FÉ! Tenham FÉ! Obrigada!!! TEC: (entra a parte da música) “Que a fé tá na mulher A fé tá na cobra co-ral Ô-ô Num pedaço de pão A fé tá na maré Na lâmina de um punhal Ô-ô Na luz, na escuridão Andar com fé eu vou, que a fé não costuma "faiá"